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É de fundamental importância compreendermos a teoria, a mitologia em que se baseia a nossa religião, para que possamos vivenciá-la da forma mais completa e adequada: conscientemente.
Em todas as tradições wiccanas existe o culto à Grande Deusa e ao Grande Deus, embora algumas pessoas ou tradições decidam por seguir um panteão específico (entretanto, lembre sempre que todos os outros deuses e deusas cultuados na Wicca são apenas diferentes faces do da Deusa e do Deus). A partir disso, temos a frase tão difundida entre os wiccanos: "todos os deuses são um só Deus e todas as deusas são uma só Deusa”. A Grande Deusa é Yin, é feminina, é ligada à água e à terra. O próprio planeta Terra pode ser encarado como sendo parte da Deusa. Tendo a lua como seu mais importante símbolo, a Deusa possui, por analogia, três faces (daí o nome "Deusa Tripla"). Sendo as fases crescente, cheia e minguante respectivamente representadas pelos seus aspectos de jovem, mãe e anciã. A lua nova em algumas tradições é tida como um período de contemplação, de retiro, associando esse momento ao momento em que a Deusa descansa para poder renascer em sua plena juventude, dando continuidade ao eterno ciclo. Já em outras tradições a lua nova é representada por uma quarta face da Deusa (a Deusa misteriosa); enquanto em outras a fase minguante é tida como sendo parte da face donzela ou anciã da Deusa. O Grande Deus é Yang, é masculino, é luz, é alegria e está ligado ao fogo e ao ar. Tendo o sol como seu mais importante símbolo, o Deus possui, por analogia, a característica de nascer, reinar, morrer e renascer. Assim, Ele reina sobre a vida e sobre a morte. Como veremos no estudo da mitologia da roda do ano, Ele é filho da Deusa Mãe e passa a ser, mais tarde, seu consorte. Alguns poucos wiccanos ainda perdem seu tempo tentando debater uma tola questão em que tentam definir qual dos dois deuses é o mais importante. Esse inútil questionamento geralmente é iniciado devido a comparações entre a Wicca e outras religiões monoteístas, porém é facilmente extinguido ao nos basearmos na 5ª meta da religião Wicca: "Manter o equilíbrio". Portanto, temos que as divindades são complementares, sendo impossível compará-las, pois tratamos de energias diferentes. Comparar a Deusa com o Deus seria o mesmo que compararmos um pai com uma mãe, mesmo que você sinta mais afinidade por um deles particularmente, a existência dos dois foi de fundamental importância para a sua existência. Na Wicca, e em algumas outras tradições pagãs, é de essencial importância a celebração dos ciclos da natureza. Temos assim os ciclos da Lua (Esbás) e os ciclos do Sol (Sabás). O conjunto dos 8 sabás anuais é conhecido como a Roda do Ano, na qual é explicada e vivenciada a mitologia da religião Wicca: - O Yule, ou natal pagão, é o festival do nascimento do Deus, é assim ligado, por analogia, ao solstício de inverno (época em que os dias passam a ser maiores que a noites).
- No próximo ritual, chamado de Imbolc ou Candlemas, celebramos o período de "resguardo" da Deusa, época em qua a Deusa se recupera do seu parto e cuida do Deus ainda bebê.
- Em Ostara, sabá celebrado no equinócio de primavera, o jovem Deus, senhor das matas, presenta-se forte, belo e viril. E, assim como a flora que renasce verde e jovem, a Deusa abandona sua face anciã, dando luagar à Donzela das Flores.
- Em Beltane, Festival do Fogo e da Fertilidade, celebra-se o "casamento divino". A Deusa une-se ao Deus em infinito amor. Encaremos, entretanto, "fertilidade" em todas as áreas da nossa vida, não apenas na vida sexual.
- Em Litha, no Solstício do Verão, o Sol atinge o seu ápice e, a partir de então, passa a "morer", ou seja, os dias passam a diminuir em relação às noites.
- No sabá Lammas, ou Lughnasadh, temos o primeiro Festival da Colheita. Este ritual tem por objetivo agradecer aos deuses pela fertilidade vinda da sagrada união. Algumas tradições também celebram, neste sabá, a partida do Deus para a "terra do verão".
- No Equinócio do Outono, temos o sabá Mabon (Segundo Festival da Colheita). A Deusa apresentando-se grávida, traz consigo o fruto de seu amor com o Grande Deus, traz a semente que brotará no próximo Yule na forma de luz e de esperança.
- O Samhain (Halloween) é o sabá mais popular entre os leigos, sendo, portanto, o menos conhecido em seu verdadeiro significado. Samhain celebra o final do Verão, o Ano Novo celta e o festival dos mortos. Esse é o Terceiro Festival da Colheita. Em algumas tradições, o Deus, reinando no outro mundo, prepara-se para voltar a vida através de sua amada; entretanto, em outras tradições, é nessa época que se celebra a partida do Deus para a "terra de verão". Seja como for, é nessa época em que o véu que separa os mundos torna-se mais tênue, marcando o final do ano e, ao mesmo tempo, o início de um novo ciclo.
Para saber mais sobre o assunto, leia os livros: A dança Cósmica das Feiticeiras: Starhawk Wicca - A Feitiçaria Moderna: Gerina Dunwich
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