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Devido a algumas discussões sobre o aborto no fórum do site, eu resolvi escrever um texto sobre a minha opinião sobre esse assunto, apresentando a vocês uma visão particular e racional, obviamente sem deixar de lado minha ética pessoal (pagã).
Primeiro vamos às definições. Para começar, o que é aborto? Segundo o dicionário Houaiss: Um aborto ou interrupção da gravidez é a remoção ou expulsão prematura de um embrião ou feto do útero, resultando na sua morte ou sendo por esta causada. Agora, vamos pensar um pouco na definição de uma segunda palavra, dessa vez um pouco mais complicada: VIDA. O que é vida? O grande problema que vemos nas discussões sobre o aborto é o direito à vida. Mas você sinceramente já parou para refletir sobre o que é vida? Com certeza essa é uma questão filosófica que englobaria uma discussão de diversas áreas científico-religiosas e creio eu, ainda não chegaríamos num acordo. Então, pensemos de uma forma mais específica sobre o nosso assunto, reformulando a questão: Quando se inicia a vida? Segundo o catolicismo (cultura cristã de maior influência sobre o mundo ocidental) a vida se inicia na concepção, ou seja, no momento em que o espermatozóide fecunda o óvulo (na verdade ele fecunda o ovócito II, mas isso é outra discussão). As religiões pagãs não possuem, devido a sua própria estrutura e diversidade, uma única definição para esse tema. Por fim, saindo um pouco da área dogmática das religiões, o que a ciência, ou melhor, os cientistas pregam? Na ciência, existem quatro grandes grupos que merecem destaque: aqueles que defendem que o início da vida se dá na concepção (destaque para o grande número de cristãos que defendem essa tese); há também aqueles que acreditam que a vida só se inicia na implantação do embrião no útero (dentre esses os principais defensores da “pílula do dia seguinte”, que impede que a célula ovo se implante no útero); há os que afirmam que vida se inicia após o parto (geralmente grandes defensores do aborto) e por último os que defendem que a vida se inicia na formação do sistema nervoso (grupo do qual faço parte). Quero deixar claro que essa minha visão se justifica pelo fato de que, biologicamente, uma pessoa não pode “sentir” nada sem a presença do sistema nervoso. Por isso, como a minha definição de “vida humana” engloba a capacidade de possuir sentimentos, essa é o ponto de vista que melhor se enquadra nos meus conceitos. Sendo objetivo e direto: eu sou contra o aborto, mas a favor da legalização do aborto. Ou seja, segundo os meus conceitos morais e religiosos (visto que a Grande Lei da minha religião –Wicca – é: “Faça o que desejar sem a ninguém prejudicar”) eu me coloco contra o aborto, visto que isso iria contra a minha moral e ética pessoal. Por isso eu não incentivaria ninguém a realizá-lo e nem o realizaria como médico. Entretanto, sou a favor da legalização do aborto, e é isso que quero explicar. Numa das discussões no fórum desse site, o meu caro amigo Benedito Duncan citou uma frase com a qual devo concordar plenamente: “Abortos sempre vão existir, independente de a lei autorizá-los ou não.” E isso é fato. “Segundo o Instituto Guttmacher (http://www.guttmacher.org/in-the-know/safety.html), o aborto induzido ou interrupção voluntária da gravidez possui um baixíssimo risco de morte: entre 0,2 a 1,2 em cada 100 mil procedimentos com cobertura legal realizados em países desenvolvidos. Este valor é mais de dez vezes inferior ao risco de morte no caso de continuar a gravidez. Pelo contrário, em países em desenvolvimento, onde o aborto é criminalizado, as taxas são centenas de vezes mais altas atingindo 330 mortes por cada 100 mil procedimentos.” Essa para mim é a grande questão, havendo ou não a legalização, sempre existirão mulheres que optam pelo aborto e não é da nossa alçada julgá-las. Então temos duas escolhas: 1. Continuar a criminalizar o aborto, colocando em risco não só os fetos (que muitas vezes não são completamente retirados e acabam por desenvolver-se com seqüelas irreversíveis de uma tentativa de aborto mal feita), mas também as mães que se submetem a métodos arcaicos ou a clínicas clandestinas que oferecem um alto risco para a sua saúde; 2. Ou então podemos apoiar a legalização do aborto (que é sim diferente de apoiar a prática do aborto) fazendo com que a grávida possa ter assistência médica qualificada (de médicos que apóiam o aborto) para realizar o procedimento com segurança como já acontece em países desenvolvidos e assim aumentar as chances de vida da mulher. Com toda a certeza essa discussão ainda vai render muito. Mas sei que não devemos nos prender a opiniões impostas por ninguém (inclusive por mim nesse texto), se não somos capazes de raciocinar e desenvolver uma opinião concisa sobre um assunto é sempre melhor não opinarmos sobre ele e tentar buscar maiores informações antes de assumir uma postura radical baseada num conhecimento falho. Por isso quero terminar esse texto com uma frase de um dos maiores músicos brasileiros da atualidade, Seu Jorge, de quem sou grande fã e que se encaixa perfeitamente no assunto: “Moro no Brasil, não sei se moro muito bem ou muito mal. Só sei que agora faço parte do país e a inteligência é fundamental.” – Jorge Mário.
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