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As crianças aprendem pelo exemplo e também têm um aprendizado empírico. Por isto, para um pagão que vivencia diariamente suas crenças, ensinar seu filho a sê-lo não é nem um pouco difícil. E isto não é imposição, não. Ensinar como fazer não é impor, mas sim demonstrar uma opção.
Tive uma vida religiosa um tanto estranha na infância. Minha mãe me fez cursar a catequese aos nove anos e fazer primeira comunhão, enquanto ela mesma não ia à igreja. Mais tarde, quando tornou-se umbandista, levava a mim e a meu irmão para “tomar passe” e coisa e tal. Cheguei a fazer a crisma, mas naquela época já tinha vários questionamentos na minha cabeça. Não segui os passos da minha mãe. Talvez por sua falta de coerência no que diz respeito a religiosidade ou por incompatibilidade mesmo. O fato é que, embora tardio, o meu contato com a Deusa ocorreu, e eu fiquei orgulhosa de mim mesma por encontrar um caminho tão meu e tão condizente com tudo o que eu pensava. Penso que para minha filha, ter uma mãe pagã vai facilitar e encurtar um pouco sua busca incessante por uma espiritualidade que valorize o que somos, que seja ética e que nos proporciona pleno contato com a Natureza e com a nossa própria natureza. Ao realizar atividades tipicamente pagãs, nossos filhos participam e automaticamente aprendem outras coisas que estão implícitas, como conceitos por exemplo. Existem tarefas simples, porém muito eficazes, como recitar uma oração, dar desenhos de símbolos para a criança colorir, fazer uma boneca com formato de deusa, cantar uma canção e tantas outras atividades, que estaremos sugerindo a partir de agora. As crianças são muito espertas e não devemos subestimá-las jamais. Minha filha tem seis anos e já é capaz de fazer questionamentos pertinentes e muito válidos. Esses dias, me interrogou sobre as orações que ensino a ela e a oração que a professora faz na escola. Devemos estar preparados para tais questionamentos, com embasamento e argumentos que possam ser de fácil entendimento para a criança dependendo de sua idade. Ensinar seu filho a ser um bom pagão não é privá-lo do livre arbítrio. É apenas conduzi-lo pelo caminho que nós, como pais e mães entendemos ser o mais belo e correto, em perfeito amor e perfeita confiança.
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