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Acho que todo pagão já passou por uma situação dessas...
Quem aqui nunca se engasgou quando, no dia 25 de dezembro, nossos parentes, vizinhos ou amigos nos receberam com um caloroso "Feliz Natal" e outros cumprimentos do gênero? Numa situação dessas, qual seria a atutide mais correta, se é que existe uma postura que possa ser chamada de "a mais correta"?
Eu simplesmente não sei. Em épocas anteriores, talvez eu arrumasse uma pequena discussão ou me isolasse de todos. Hoje, acho que extremos são negativos, independente do lado em que estivermos. Participar de ritos sociais não vai mudar minha crença. Não é o fato de eu desejar um "Feliz Natal" que vai fazer com que eu me torne um cristão e deixe de celebrar o meu Litha (não o Yule, porque não consigo rodar pelo norte). Diferente seria participar de um rito religioso, ser ministro na Eucaristia, dar testemunho durante um culto evangélico; mas, convenhamos... esse não é o caso. E, apesar de as festas de final de ano terem tomado um caráter muito mais social e comercial do que religioso, esse também não é, a meu ver, o "X" da questão. Nessas épocas, acho que deveríamos propor um exercício de tolerância. Permitir que o outro exista, que ele aja de acordo com sua própria vontade, e sem pré-julgamentos, deve ser um dos ideais mais importantes de quem abraçou uma religião que prega o não-proselitismo e a liberdade individual. E, se para um cristão é importante ter um Natal feliz, eu, enquanto pagão, dentro da imensa teia que Ela teceu e que é Ela própria, devo desejar que ele seja feliz e pleno dentro da fé que escolheu. Postura pagã é algo que deve ser vivido durante o ano todo, não só durante as comemorações de final de ano. Por mais que saibam que não somos cristãos, as pessoas nos desejam um "Feliz Natal" como um ato automático de quem foi criado assim, e é melhor sermos educados e retribuirmos a gentileza do que ficar com fama de desajustados socialmente. Nunca me agradou essa idéia de que Wicca é modismo de "rebeldes sem-causa", e convivência pacífica (principalmente com aqueles que são diferentes de nós) faz parte do processo de amadurecimento de cada um. Brux@s devem dar um exemplo de civilidade. Hoje, sempre que alguém me deseja um "Feliz Natal" tento tratá-lo como gostaria de ser tratado ao desejar um "Feliz Yule" para um cristão. É claro que não vou desejar um "Feliz Natal, que Jesus te salve de todo o mal e que você vá para o céu quando morrer", mas agindo polidamente posso, depois, me dar ao luxo de dizer que ajudei a construir uma imagem de pagão civilizado, que enxerga as diferenças e nem por isso se considera melhor que os outros. Afinal, só se isola do mundo aquele que se sente superior a ele. Desejar que alguém seja feliz dentro daquilo que ele acredita não significa que você compartilha suas crenças, sejam elas quais forem. Bênçãos dos Antigos. Duncan Frewin
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