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O que você pode fazer?
Escrito por Benedito Duncan   
22-Jan-2007
A matéria a seguir foi ao ar no Programa Fantástico, de ontem - dia 21/01/2007. Alerta sobre as conseqüências criadas pela emissão desenfreada de CO2 na atmosfera, como as mudanças climáticas que vêm ocorrendo.

"... salvar a nossa casa é uma tarefa de todos nós. Nem tudo está ao nosso alcance. Mas cada um de nós pode e deve contribuir.
As mudanças climáticas no planeta Terra já começaram. E do jeito que vão, um jovem de hoje vai conviver com as conseqüências mais dramáticas do efeito estufa antes mesmo de ficar velho."

Se não fizermos algo hoje, possivelmente amanhã será tarde demais.

Bênçãos de Gaia.

O que você pode fazer para ajudar a salvar o planeta Terra

Tempestades e ventos de até 200 km/h deixaram cerca de 40 mortos na Europa esta semana. Aeroportos, estradas e ferrovias foram fechados. Também na África do Sul, a ventania entrou em campo. Será que a fúria do tempo esta semana foi mais uma peça pregada pelo aquecimento global? O Fantástico vem explicando o que está acontecendo com o planeta Terra, o por quê de tantas mudanças climáticas e o que o futuro reserva para a gente. Hoje, você vai ver que salvar a nossa casa é uma tarefa de todos nós. Nem tudo está ao nosso alcance. Mas cada um de nós pode e deve contribuir.

As mudanças climáticas no planeta Terra já começaram. E do jeito que vão, um jovem de hoje vai conviver com as conseqüências mais dramáticas do efeito estufa antes mesmo de ficar velho.

Mas é justamente a geração atual, adultos e jovens de hoje, que tem nas mãos o poder de reverter o cenário que se anuncia.

Como? É simples: reduzindo as emissões dos gases que provocam o aquecimento global, em especial de gás carbônico. Isso depende basicamente de tecnologia e de novas políticas governamentais. Mas não só. Cada um de nós também pode - aliás, deve - fazer algo.
Mas o que?

Para entender, conheça a família Carbono. Eles estão aqui porque - como todos nós - também são responsáveis pelo caos no clima. Metade do CO2 produzido pelo ser humano é resultado de atividades domésticas. O senhor e a senhora Carbono, mais suas filhas, formam uma família típica do mundo ocidental, só que de mentirinha.  Eles não são maus, mas, como a maioria dos ocidentais, têm um estilo de vida com muitos desperdícios.

Eles têm dois carros, movidos a gasolina ou diesel. A cada ano, os carros lançam na atmosfera 20 toneladas de gás carbônico. Dez toneladas por carro.

Colocar a casa deles em ordem, do jeito que a senhora Carbono gosta, provoca a emissão de outras vinte toneladas de CO2 anuais. A mesma quantidade que os dois carros. Isso porque a energia que chega nas tomadas da casa da família Carbono vem de uma usina termelétrica. As termelétricas, em geral, queimam óleo para gerar energia. Como o óleo é um combustível fóssil, libera carbono ao ser queimado. É diferente do que acontece nas casas brasileiras. Aqui, a energia vem de usinas hidrelétricas, uma fonte de energia mais limpa.

Mas as emissões da família Carbono, causadas pelo uso de seus eletrodomésticos, representam bem o que acontece nas casas da Europa e dos Estados Unidos, regiões responsáveis por mais da metade do CO2 lançado na atmosfera.

O trabalho obriga e o senhor Carbono viaja muito de avião. Cada vez que voa, é mais gás carbônico no ar. A aviação é a fonte emissora de CO2 que cresce de maneira mais rápida no mundo. Num vôo Rio-Manaus, por exemplo, cada passageiro é responsável pela emissão de 0,48 tonelada de CO2.

Ninguém pensa nisso, mas é bom lembrar que boa parte da comida que consumimos atravessa centenas de quilômetros, quando não continentes, até chegar à cozinha. Um caminhão que percorre 500 quilômetros emite 0,44 tonelada de CO2. O leite e a farinha da panqueca andaram de caminhão, movido a diesel, que é combustível fóssil.

E não acaba aí. Terminada a refeição, os restos vão pro lixo. E dele para a usina de lixo, onde as sobras da família Carbono se decompõem, liberando CO2 e muito metano, um gás ainda mais danoso do que o carbônico.

Enquanto isso, aquela manta que recobre a Terra, formada por CO2 e metano, vai ficando mais grossa, levando o aquecimento global cada vez mais perto de um ponto sem volta.

Ao todo, a família Carbono é responsável pela emissão de 45 toneladas de gás carbônico por ano. Mas não olhe torto para eles. A família Carbono, como a sua, não é do mal. Eles simplesmente não sabem o que fazem. Se soubessem, mudariam alguns detalhes do dia-a-dia. Em prol do futuro, deles mesmos e do planeta. Voltamos à pergunta inicial: como?

Os Carbono, como já vimos, moram num país cuja principal fonte de eletricidade são as termelétricas. Por isso, ao reduzirem o consumo de eletricidade, colaboram para reduzir o efeito estufa. No Brasil, a relação entre gasto de eletricidade e emissão de CO2 é diferente. Não é tão direta. Mas de qualquer jeito vale a pena saber que só de desligar completamente todos os equipamentos eletrônicos que não estão em uso, os Carbono conseguem cortar 10% do valor da conta de luz.

Outra decisão em favor do planeta foi preferir comprar comida produzida só nas redondezas de onde moram. Assim, eles ajudam na redução de muitos quilômetros rodados por caminhões e aviões.

Mas esses são quilômetros alheios. Os Carbono também mudaram a maneira de usar os próprios carros. Já não fazem mais saídas desnecessárias e compraram carros mais econômicos. Se estivessem no Brasil, poderiam ter optado por um carro a álcool, que emite menos gás carbônico.

Muitos pesquisadores acreditam que se todos nós fizermos as escolhas certas em nossas casas e escritórios, dá para cortar as emissões globais em um quarto. Significa 25% menos pressão sobre o efeito estufa só com ações domésticas!

Mas para resolver os outros 75% só com mudanças coletivas. Daquelas que cabem às indústrias, aos governos, às entidades de alcance mundial. Deles depende descobrir novas fontes de energia livres de carbono e incentivar o uso das que já existem.

No Brasil, a principal fonte emissora de gás carbônico é o desmatamento e as queimadas. Estima-se que 75% do nosso CO2 venham das florestas destruídas. Quase todo o resto vem da queima de derivados de petróleo usados no transporte e na indústria.

Desmatamento, Amazônia... Mesmo quem nunca viu uma motoserra pode dar sua contribuição para evitar que mais árvores caiam e que mais gás carbônico polua a nossa atmosfera.

Por exemplo: evitando comprar madeira que não seja certificada. Só assim você vai ter certeza de que a madeira que virou mesa ou ripa de telhado não foi cortada ilegalmente. Também é bom ficar de olho na origem da carne nossa de cada dia. Não compre se ela veio de uma área desmatada para pasto. Aliás, comer carne carrega uma outra culpa. No Brasil, a agropecuária colabora mais para o efeito estufa do que o setor de transportes. Um dos motivos são os gases que bichos, como a vaca, produzem. O arzinho solto no pasto é cheio de gás metano.

Para reduzir a cota individual na emissão provocada pela queima de gasolina e diesel, é fácil: prefira transporte público. Mas quando tiver que ser carro, prefira um movido a álcool, que é bem menos danoso.

No mais, plante árvores. Só elas são capazes de absorver o CO2 que você emite.

Quantas árvores, então, são necessárias para aplacar a culpa de cada um? Vamos usar os cálculos feitos pela consultoria Max Ambiental a pedido da ONG S.O.S Mata Atlântica.

Uma pessoa que roda 20 quilômetros por dia num carro 1.0 movido à gasolina emite 1,87 tonelada de CO2 por ano. Para neutralizar essas emissões, precisa plantar nove árvores, a cada ano.
E quem viaja de avião? Pior. Só uma ida e volta na ponte aérea Rio-São Paulo exige o plantio de uma árvore por passageiro. Tem executivo que vai ter de virar camponês.

Até quando a gente se diverte, tem gás carbônico indo para a atmosfera. A Max Ambiental calculou as emissões decorrentes do show de uma banda carioca para seis mil pessoas em São Paulo. Deu 7,6 toneladas de CO2. Para neutralizar, depois da festa, teriam de ser plantadas 38 árvores.

Se você acha que é muita árvore pro seu jardinzinho, colabore com o planeta Terra cortando desperdícios de combustível, de energia, de madeira, de comida.

“As árvores, as plantas, neutralizam o carbono de uma maneira muito simples, realizando a fotossíntese. Ela captura o CO2 e transforma em oxigênio. Esse é o processo. Muito simples”, explica Adauto Basílio, diretor da Fundação S.O.S. Mata Atlântica.

Se você quer saber quanto carbono você emite e quantas árvores deve plantar, clique aqui e faça o cálculo.

Fonte: Site do Fantástico
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