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Vida e morte na linha 331 Imprimir E-mail
Escrito por Benedito Duncan   
03-Fev-2007

Hoje, na volta do trabalho, uma bêbada entrou no ônibus.

Aparentava uns 35 anos e estava bem bêbada. Entrou no ônibus pela porta da frente e parou no cobrador, porque não tinha o dinheiro da passagem. Em meio a palavras desconexas, reclamações de que estava sendo humilhada, e outras coisinhas mais, um dos passageiros deu o dinheiro e ela passou a catraca.

Era uma boa bêbada, roqueira acima de tudo. No meio da confusão, cantou músicas do Bon Jovi, do U2 e outras (talvez). Dessas, a única que consegui entender foi "Pride (In the name of love)". O resto, identificava o grupo porque ela olhava para todos e dizia: "Pô, é o Bon Jovi, uhuuu!!!"

Resolveu sentar no fundão e conversar com uns garotos que estavam lá. Alguns eu conhecia, pois tinham sido meus alunos. Aí, na conversa com eles, no meio do barulho do ônibus, consegui entender ela dizendo que eles precisavam se cuidar, e que ela estava daquele jeito porque a sua filha tinha morrido. Aí me lembrei que assim que entrou no õnibus ela tinha lamentado, e falado algo como "minha filha, como isso foi acontecer..."

Antes de descer do ônibus ela olhou para a menina que estava sentada do meu lado e disse: "Amiga, me liga!!!"

A certeza da morte deveria funcionar como um impulso para vivermos nossas vidas, mas não é isso o que acontece. Normalmente, a morte tende a provocar processos destrutivos em quem não está preparado para ela.

Agora, cá entre nós, quem é que está realmente preparado?

"In the name of love
What more in the name of love?
In the name of love
What more in the name of love?"
Comentários
Kito  - Nos preparamos para que afinal?   |Registered |03-02-2007 13:25:25
Bom Du, o que acho é que na realidade para alguma coisa estamos preparados na vida. Para falar a verdade eu estou muito preparado para a minha morte, mas não estou preparado para a forma que vou morrer e também não sei se estou preparado para perder as pessoas que amo. Uma vez estavamos conversando lá em casa e eu disse para minha mãe que prefiria morrer antes dela e adivinha o que foi que ela me respondeu? Disse que eu era egoista, que pela ordem natural das coisas os pais morriam antes e que eu não tinha ideia de como é a dor de perder um filho. Pois é Du, ela tá certa hoje eu penso diferente, vai doer em mim, mas não conseguiria morrer e deixar ela aqui sozinha e triste. Na realidade ninguem sabe o tempo de nada, tanto pode ser eu quanto ela o proximo. Faz parte da vida.
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